Logos InfoDengue, TGHN LAC, FGV EMAp e Fiocruz.

Glossário InfoDengue

Explore termos e conceitos importantes da vigilância de arboviroses e dos sistemas de alerta, oferecendo uma forma simples de apoiar o entendimento e o uso das informações em saúde.

Recurso elaborado a partir do mapeamento Pathfinder InfoDengue

A

  • Alerta precoce: Um alerta precoce é um aviso gerado de forma antecipada à ocorrência de um evento de saúde pública. No Infodengue, alertas são emitidos de forma escalonada, em níveis. O nível amarelo indica que existem condições ambientais para ocorrência de surtos de arboviroses (dengue, chikungunya, zika) e que há necessidade de aumentar a atenção e focar esforços de prevenção; o nível laranja indica que há transmissão sustentada da doença, isso é os casos estão aumentando de forma exponencial e podem levar a uma epidemia, logo é tempo de aplicar estratégias de controle; o alerta vermelho, por fim, indica que a notificação de dengue está alta para padrões históricos. Para produzir alertas precoces, o Infodengue utiliza dados de clima e de notificação de casos e técnicas estatísticas (nowcasting e árvores de decisão).

C

  • Canal Endêmico: O canal endêmico descreve o padrão temporal sazonal típico de uma doença, em um lugar. Para criar esse mapa, os especialistas olham para a série temporal de casos em vários anos anteriores e calculam a distribuição esperada de frequência da doença para cada período do ano. Nos serviços locais de saúde, o canal endêmico é um instrumento útil para monitoramento da situação epidemiológica atual de uma doença, a determinação de situações de alerta epidêmico e a previsão de epidemias. Leia mais sobre o canal endêmico (p.35).
  • Casos estimados: é o número esperado de casos do agravo em estudo (dengue, chikungunya ou zika) estimados para uma dada semana a partir da aplicação do modelo de nowcast aos dados de notificação disponíveis até a data da análise. É um dos indicadores produzidos pelo sistema InfoDengue para tornar os alertas mais precoces e oportunos.
  • Casos notificados: é o número de casos registrados no Sistema Nacional de Notificação de Agravos, por meio da ficha de notificação de dengue, chikungunya ou zika, por atenderem a definição de caso dessas doenças, isso é apresentarem sinais e sintomas clínicos que são compatíveis com o determinado agravo ou um conjunto de agravos de interesse para a saúde pública, compartilhando uma sintomatologia comum.
  • Casos prováveis: O conceito de "caso provável" de arbovirose, segundo o Ministério da Saúde do Brasil, é uma classificação usada para identificar pacientes com alta probabilidade de ter a doença, mesmo sem a confirmação imediata por exames de laboratório.Basicamente, um caso provável é um caso suspeito (alguém com sintomas típicos como febre e dor de cabeça, além de ter estado em área de risco) que possui um forte vínculo epidemiológico. Isso significa que:
    • A pessoa está em uma área com muitos casos já confirmados da doença.
    • Ou ela teve contato com alguém que tem a doença.
    • Ou veio de uma região onde há uma epidemia.
    • Pelo Brasil ser uma região endêmica, na prática, consideram-se casos prováveis todos os casos de arboviroses que foram notificados e não foram descartados.
  • Casos descartados: Um caso descartado de arbovirose é quando, após a investigação de um caso suspeito (ou até provável), chega-se à conclusão de que a pessoa não tem a doença.Um caso pode ser descartado por diferentes motivos, como Exame Laboratorial negativo ou confirmação de outra doença (os sintomas que a pessoa apresentava, na verdade, são explicados por outra doença que foi diagnosticada e confirmada) ou ainda critério clínico-epidemiológico incompatível, quando após uma análise mais aprofundada dos sintomas e da história da pessoa (onde ela esteve, se teve contato com outros casos), a equipe de saúde conclui que o quadro não se encaixa mais nos critérios para ser uma arbovirose, e não há indícios epidemiológicos que sustentem a suspeita.
  • Casos confirmados: Um caso confirmado de arbovirose significa que, após a investigação de um paciente que inicialmente era um caso suspeito ou provável, há evidência clara e definitiva de que a pessoa realmente tem a doença (dengue, zika, chikungunya, etc.).É o estágio final e mais certo da classificação. É a prova de que o vírus está ou esteve presente no organismo da pessoa, ou que a situação epidemiológica é tão forte que equivale a uma confirmação laboratorial. De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, a confirmação pode ocorrer por diferentes critérios: confirmação laboratorial, confirmação por critério clínico-epidemiológico e confirmação por critério clínico.
  • Chikungunya: É uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus Chikungunya, que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (mesmos mosquitos que transmitem a dengue e a febre amarela, respectivamente), caracterizada por dores fortes, especialmente nas articulações. Circula no Brasil desde 2015. Leia mais sobre a Chikungunya.
  • CHIKV: Vírus da chikungunya: um vírus do gênero Alphavirus, transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. O vírus se replica inicialmente nos linfonodos e no sangue, podendo atingir articulações, músculos e órgãos internos, causando resposta inflamatória intensa. A infecção humana resulta em febre súbita, artralgia intensa, mialgia, cefaleia, fadiga e erupções cutâneas, podendo evoluir para formas crônicas com sintomas articulares persistentes. A vigilância epidemiológica e o controle dos mosquitos vetores são essenciais para prevenção de surtos.

D

  • Dengue: A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada. A maioria dos doentes se recupera, porém, parte deles podem progredir para formas graves, inclusive virem a óbito. A quase totalidade dos óbitos por dengue é evitável e depende, na maioria das vezes, da qualidade da assistência prestada e organização da rede de serviços de saúde. Leia mais sobre a Dengue.
  • Dengue grave: Também conhecida como dengue com sinais de alarme, a dengue grave é caracterizada pela piora do estado clínico, de três a sete dias após o início dos sintomas tradicionais. É fundamental procurar ajuda o mais rápido possível caso apareçam sinais como dor abdominal intensa, vômito persistente, dificuldade respiratória, confusão mental, fadiga, náuseas, queda da pressão arterial, sangue nas fezes e sangramento nas gengivas ou nariz. A dengue grave pode ocorrer em qualquer idade mas o risco pode ser maior em idosos, gestantes ou pessoas com comorbidades como diabetes e hipertensão arterial. Importante buscar ajuda médica imediatamente. Leia mais sobre a Dengue grave.
  • DENV: Vírus da dengue e seus quatro sorotipos: Vírus da gênero Flavivirus, família Flaviviridae, com genoma de RNA de fita simples e sentido positivo, transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. O DENV possui quatro sorotipos distintos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4, cada um com variações próprias, o que significa que a infecção por um sorotipo confere imunidade apenas contra ele, não protegendo completamente contra os demais. A infecção pode resultar em febre súbita, cefaleia, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, fadiga, náusea, vômito e erupções cutâneas. Acesse mais informações sobre cada sorotipo da dengue.
  • Diagrama de Controle: O Diagrama de Controle é uma ferramenta gráfica utilizada na vigilância epidemiológica para acompanhar a ocorrência de doenças ao longo do tempo e identificar possíveis surtos ou epidemias. Segundo o Ministério da Saúde, ele é construído com base nos coeficientes de incidência de uma doença, organizados por períodos (como semanas epidemiológicas), e permite comparar os valores observados com os limites esperados.Equivale ao canal endêmico de uma doença. Essa ferramenta permite detectar precocemente aumentos inesperados no número de casos, orientando ações de resposta em saúde pública. O gráfico apresenta:
    • Valor central (índice endêmico): média histórica da incidência da doença.
    • Limite superior endêmico (limiar epidêmico): acima deste valor, considera-se possível ocorrência de epidemia.
    • Limite inferior endêmico: abaixo deste valor, indica redução incomum de casos.
    • Faixa endêmica: espaço entre os limites superior e inferior, onde os valores são considerados esperados.

E

  • Epidemia: é a ocorrência de casos de doença ou outros eventos de saúde com uma incidência maior que a esperada para uma área geográfica e períodos determinados. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia varia conforme o agente, o tamanho e o tipo de população exposta, sua experiência prévia ou ausência de exposição à doença, e o lugar e tempo de ocorrência.

F

  • Forecasting: Em termos simples, forecasting é o processo de fazer previsões sobre o futuro com base em dados do passado e do presente. Na saúde pública, essa prática é essencial para antecipar cenários, planejar ações e evitar que problemas se agravem. Imagine que os gestores de saúde estão acompanhando os casos de uma doença como dengue. Com base nos dados dos últimos anos, eles podem usar modelos matemáticos e estatísticos para prever quantos casos podem ocorrer nos próximos meses. Isso é forecasting: uma forma de estimar o que pode acontecer no futuro e se preparar antes que o problema aconteça.

I

  • Incidência: a incidência de uma doença pode ser definida como o número de novos casos de doenças que ocorreram durante determinado período de tempo em uma população. Em geral, os indicadores epidemiológicos de incidência são: incidência acumulada e taxa de incidência. A incidência acumulada é definida como uma proporção: número de casos incidentes num período dividido pela população em risco no início. A taxa de incidência, por sua vez, é calculada dividindo o número de novos casos de uma doença ocorrendo em uma população durante determinado período de tempo pelo número de pessoas sob o risco de desenvolver tal doença durante esse período de tempo. Muitas vezes a taxa de incidência é multiplicada por 100.000, resultando numa medida de casos por 100.000 pessoas por ano, por exemplo.
  • Incidência Estimada: É a estimativa da taxa de incidência de um agravo, a partir do número estimado de novos casos de uma doença ou evento de saúde em uma população em risco durante um período de tempo, baseada em dados disponíveis e ajustes estatísticos (como modelagem, correção por subnotificação ou lacunas de vigilância).

L

  • Limiar Epidêmico: Imagine um gráfico que mostra quantos casos de uma doença aparecem a cada semana ou mês ao longo do ano. O Limiar Epidêmico é como uma "linha de alarme" nesse gráfico.Essa linha representa o limite máximo de casos que esperamos ver em condições normais, ou seja, sem que haja uma epidemia. Se o número de casos de repente ultrapassar essa linha, é um sinal de alerta! Isso sugere que a doença pode estar se espalhando mais do que o esperado, indicando o possível início de uma epidemia.Para definir onde essa "linha de alarme" deve ficar, os epidemiologistas usam cálculos estatísticos. Eles analisam os dados de como a doença se comportou em anos anteriores e usam medidas como o quartil superior (que mostra o valor que 75% dos dados não ultrapassam) ou o desvio-padrão (que indica o quanto os dados variam em relação à média). Assim, o Limiar Epidêmico não é um número aleatório; ele é uma estimativa bem fundamentada do que é um aumento significativo nos casos, exigindo atenção.

M

    • MEM (Moving Epidemic Method): O MEM é um método estatístico desenvolvido para identificar o início, a intensidade e a duração típicos de epidemias sazonais — como a dengue — com base em dados históricos de vigilância. Ele funciona como uma “régua inteligente” que compara os dados atuais com os de anos anteriores para dizer se uma epidemia começou, quão forte ela está e quando deve terminar. Imagine que você acompanha semanalmente o número de casos de uma doença. O MEM analisa esses números e, com base em padrões passados, determina:
      • Quando os casos ultrapassam um limite que indica o início da epidemia
      • Quais níveis de intensidade (baixa, média, alta) estão sendo atingidos
      • Como a epidemia atual se compara com as anteriores

Esse método é muito útil para autoridades de saúde pública, pois permite uma resposta mais rápida e eficiente diante de surtos.

  • Mosquitos vetores de arboviroses: Os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus são insetos hematófagos (se alimentam de sangue) pertencentes à família Culicidae e ao gênero Aedes. Eles são conhecidos por atuarem como vetores de importantes arboviroses, como dengue, Zika, chikungunya e febre-amarela. O Aedes aegypti é especialmente adaptado ao ambiente urbano. Ele costuma se reproduzir em criadouros artificiais, como recipientes plásticos, pneus e caixas d’água, e tem um comportamento bastante antropofílico — ou seja, prefere picar seres humanos. Já o Aedes albopictus apresenta uma maior flexibilidade ecológica. Embora também esteja presente em áreas urbanas, é comum encontrá-lo em regiões periurbanas e até em ambientes naturais. Seus criadouros incluem ocos de árvores, bambus e outros recipientes naturais, e seu comportamento é menos voltado exclusivamente ao ambiente doméstico. Ambas as espécies possuem características que favorecem a capacidade de transmissão de vírus, como o ciclo de vida curto, e o hábito de realizar múltiplas picadas durante um mesmo ciclo alimentar — o que aumenta as chances de disseminação das doenças

N

  • Níveis de alerta: No Infodengue, alertas são emitidos de forma escalonada, em níveis. O nível amarelo indica que existem condições ambientais para ocorrência de surtos de arboviroses (dengue, chikungunya, zika) e que há necessidade de aumentar a atenção e focar esforços de prevenção; o nível laranja indica que há transmissão sustentada da doença, isso é os casos estão aumentando de forma exponencial e podem levar a uma epidemia, logo é tempo de aplicar estratégias de controle; o alerta vermelho, por fim, indica que a notificação de dengue está alta para padrões históricos.
  • Nowcasting: A principal fonte de informação sobre os casos de doenças é o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Ele é um grande banco de dados nacional onde são registrados todos os casos de doenças que precisam ser notificadas, incluindo as arboviroses.O problema é que, às vezes, um caso de doença que começa hoje levará um tempo para ser inserido no banco de dados. Isso é o que chamamos de "atraso de notificação". Para resolver esse atraso e ter uma visão mais real e atualizada, usamos uma técnica chamada nowcasting. Pense no nowcasting como um "ajustador de relógio" ou um "previsor do presente". Ele usa modelos estatísticos para estimar o número real de casos que já aconteceram, mas que ainda não foram totalmente registrados no SINAN devido ao atraso. Assim, temos uma fotografia mais precisa do presente, em tempo quase real.

P

  • Primeiros Sintomas: são os sinais iniciais que o corpo manifesta diante de uma alteração no estado de saúde, podendo indicar o início de uma doença ou condição clínica. Esses sintomas costumam ser inespecíficos — como febre, dor de cabeça, mal-estar, fadiga ou dor muscular — e variam conforme o agente causador e o perfil do paciente. Reconhecer esses sinais precocemente é fundamental para o diagnóstico, o tratamento oportuno e a prevenção de complicações.

R

  • Rt ou número reprodutivo tempo-variante: É uma grandeza escalar que estima o risco de transmissão da doença ao longo do tempo. O Rt será equivalente ao R0 no início da transmissão da doença na população e deverá reduzir com o tempo conforme a população adquire imunidade. Clima e outros fatores que afetam a transmissão também afetam o Rt. O Infodengue monitora o Rt da dengue, quando Rt > 1 por mais de três semanas, identificamos transmissão sustentada e atribuímos nível de alerta laranja.
  • R0 ou número reprodutivo basal: O Ro é uma grandeza escalar que estima o número médio de infecções secundárias geradas a partir de um caso primário durante o período de transmissão inicial da doença numa população, quando a população é inteiramente suscetível ao patógeno infeccioso.Quando Ro > 1, ou seja, a infecção tende a se espalhar na população; e se Ro < 1, a infecção tende a declinar e pode se extinguir. Leia mais sobre o R0.
  • Receptividade Climática: é um indicador de análise das condições ambientais — especialmente temperatura e umidade — que favorecem a transmissão de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Essa análise considera que o mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças, se desenvolve melhor em ambientes quentes e úmidos, e que o próprio vírus se replica mais eficientemente dentro do mosquito nessas condições.O InfoDengue utiliza dados meteorológicos locais para avaliar se o clima está propício à circulação viral. Quando essas condições são favoráveis, o sistema emite alertas para intensificar ações de prevenção e controle, mesmo antes de um aumento significativo no número de casos.

S

    • SINAN: O Sistema de Informação de Agravos de Notificação é uma plataforma nacional gerenciada pelo Ministério da Saúde que coleta, armazena e analisa dados sobre doenças e agravos de notificação compulsória no Brasil. Ele é alimentado por unidades de saúde que registram casos suspeitos e confirmados por meio de fichas padronizadas, permitindo o monitoramento da situação epidemiológica em tempo real. O sistema é essencial para:
      • Acompanhar surtos, epidemias e endemias
      • Subsidiar decisões de saúde pública
      • Calcular indicadores epidemiológicos
      • Planejar ações de prevenção e controle

Cada município, estado e o Distrito Federal são responsáveis por alimentar regularmente a base de dados do SINAN, que é usada para orientar políticas, programas e intervenções em saúde.

  • Sorotipo : Um sorotipo é uma variante de um microrganismo — como vírus ou bactéria — que se diferencia dos demais por características específicas em sua estrutura antigênica. Essas diferenças são importantes porque permitem que o sistema imunológico identifique e responda a cada sorotipo de forma distinta. Ou seja, quando uma pessoa é infectada por um determinado sorotipo, ela desenvolve imunidade específica apenas contra aquele tipo, e não necessariamente contra os outros.No caso da dengue, por exemplo, existem quatro sorotipos do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A infecção por um deles não garante proteção completa contra os demais. Isso significa que uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez, causada por diferentes sorotipos, e cada nova infecção pode representar riscos adicionais à saúde.
  • Surto: é a ocorrência de dois ou mais casos de uma mesma doença ou agravo, com vínculo epidemiológico, em um intervalo de tempo e espaço delimitado. Isso pode acontecer em locais como escolas, creches, hospitais, comunidades ou qualquer ambiente onde os indivíduos compartilhem exposição a um mesmo fator de risco.O surto pode indicar o início de uma epidemia e exige investigação rápida para identificar a causa, controlar a disseminação e evitar novos casos.